Senhores, não posso me furtar a comentar esse e-mail...
Alguns me conhecem, outros já me viram por aí... Mas o que posso falar a respeito de tudo isso é que depois de conhecer o grupo do PNDF percebi que minha filosofia de pedal estava errada.
Até fevereiro de 2010 vinha mantendo um ritmo de treinos intensos (a meta era finalizar os 200K em AUDAX do PR; SC; RJ; SP e DF e o 300 do PR), porém solitários. Ostentava com muito orgulho o fato de ser avulso, não pertencer a nenhuma equipe ou grupo. Ser auto-suficiente em provas tão desgastantes e que normalmente eu não sabia o percurso. O fato é que após participar do PPP deste ano, percebi o verdadeiro valor da amizade. Vi amigos se encontrando para pedalar, e não ciclistas se encontrando em pedais.
Bom... Vieram as provas... PR completo! Conhecia os caminhos e as armadilhas da altimetria... SC incompleto (sem conhecer os caminhos e sem apoio)... RJ incompleto (rodar grande parte do tempo em estrada de chão, com toda a umidade do RIO e seus 40 graus, realmente não para qualquer um), festa no AUDAX Brasília... COMPLETADO com mais de 200Km rodados (explico mais a frente), dia 24 tem o AUDAX Brasil, que por motivo de força maior não vou participar, quero manter meu noivado...(rsrsrs) Mas o que realmente me chama a atenção é a forma carinhosa como são preparados os eventos aqui em Brasília! Não quero desmerecer os amigos dos outros estados, mas realmente aqui me sinto querido, quiçá, amado!
Como tantas outras pessoas eu não sabia direito o caminho... Na largada comecei a seguir uma roda que conheci no PPP... Clube do Congresso OK, e depois só fui encontrar algum rosto conhecido depois de parar para carimbar no Paranoá... Logo após o posto da Policia Rodoviária, parei para ajudar um desesperado que andava no pelotão de speed do outro lado da rua... o cara nem ao menos estava no nosso pedal, mas não pude deixar de ajudar... 40 minutos depois (isso mesmo... 40 minutos para trocar um pneu furado... o guri não sabia nem ao menos o que era uma espátula, qual era a pressão que ia usar ou ainda... qual era o lado correto da roda... esse é o espírito de festa do PNDF), estava eu entre as ultimas pessoas, sem saber direito o caminho... Mas vamos lá... é auto-superação...
Decidi seguir dois “doidos” (com o perdão da palavra) de speed...
inicialmente fiquei meio assim... achei que não ia dar conta... pois os caras tinham pinta de super atletas... Uns figuras... Hora caia algo da bike (parava)... Hora o outro queria um banheiro (parava)... hora o celular tocava... imaginem que saro... Fui assim até o Palácio da Alvorada, encontrei mais amigos do PPP... Decidi então seguir com eles... tudo calmo e tranqüilo até o Metropolitan... onde perdi a saída deles e estava novamente procurando alguém para seguir....
Aí foi fácil... viaduto do Cruzeiro... mais amigos e informações complexas sobre como ir para o Gama... Segui para o aeroporto, e na hora do carimbo...
cadê o do Gama??? Quase sozinho... desorientado... sem saber para que lado era... e já bastante cansado. Outro amigo assustado me pergunta como eu já estava nesse PC, sabendo que meus resultados não são assim tão excepcionais.
Eu tinha errado o caminho mais uma vez....
Pq “quase” sozinho??? Uma viva alma que estava na pipoca disse que podia me ajudar com o caminho para o Gama (vínhamos na mesma balada desde o Metropolitan). Se estava pensando em desistir devido ao erro de percurso (como foi em SC), desta vez não tive como, pois não era mais fazer o percurso só por mim, mas também por quem estava me ajudando.
Seguimos, pedindo informações... Indo por caminhos nem sempre certos...
voltando e corrigindo o caminho... Mas seguindo... seguindo... seguindo... E faltando poucos minutos para fechar o PC do Gama, veio a bendita hora do carimbo! Mais uma parte da missão cumprida... Novamente perdi a alma que me ajudava com o caminho.
Aí, fui acolhido por duas pessoas fantásticas... Amigos de verdade... desde a partida, os dois pedalando juntos. Um reclamava de dor aqui... outro ali... e ambos tinham o compromisso um com o outro. Seguimos para o aeroporto, carimbo e o tempo cada vez mais curto... a estratégia era completar dentro do tempo. Sabe DEUS se pedalando ou emburrando a bike...
mas completar os dois juntos! E pq não dizer que depois da breve apresentação os três juntos!!!
Revezamento entre puxar e fechar, mas sem descuidar dos companheiros...
abrigar quem estava precisando mais no momento. Equipe! E eu ali no meio, percebendo mais uma vez o espírito de festa, alegria e AMIZADE!!!
Chegamos com muita festa! Mais do que finalizar foi o fato de ter interagido com tanta gente... ter feito novas amizades e principalmente reencontrado alguns valores da COLETIVIDADE.
Relato longo... passo a passo do AUDAX DF para dizer que...
Em todos os eventos eu não encontrei grandes placas de identificação (e acreditem... a tendência é serem muito piores dos que as daqui... isso quando elas existem) esse também é o espírito do AUDAX se vira com o caminho.
Puxar um grande pelotão... ser o primeiro... de que adianta? O valor da amizade esta nos pequenos detalhes... Estamos procurando a superação...
mesmo que seja para chegar em ultimo, o mais importante é chegar!
Respeitar as leis e regras... Não depende de ter ou não fiscais, está na essência da pessoa.
E o principal... Conseguiria pedalar por mais alguns Km pelo grupo! Sem sombra de dúvidas conseguiríamos pedalar por mais quantos fossem necessários para chegarmos juntos, como fizemos!
Não é crítica, é relato de vida!
Gostaria de ser mais presente nos eventos do Pedal Noturno, deixar de ser avulso e pertencer de verdade... Mas devido aos horários e viagens acabo tendo pouco tempo para me dedicar com mais empenho a esses amigos!
Obrigado pelo carinho de todos!!! Organizadores, fiscais, participantes, pessoas de fora que deram aquela força quando eu achava que não dava mais!
Quero contar com uma roda amiga na madrugada do 300Km... Pois isso de ficar perdido não esta dando mais...
Abraços
Alexandre Nascimento
Alexandre Henrique do Nascimento participou do Audax Randonnée Brasília 200 Km com o número 126.