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Fiz a prova do AUDAX com bastante tranquilidade. Senti o esforço nos ultimo 15km e creio que só me dei conta disso pelo banho de gelo dado por um dos fiscais da prova. Uma historinha fatídica que me colocam em dubiedade. Faço algumas considerações, quem sabe você não pode repassar aos organizadores desta prova tão interessante.
Fabrício participou este ano de 4 AUDAX. Foi ele quem informou da prova faltando menos de duas semana para acontecer. Fiz minha inscrição faltando cerca de 7 dias. Fui sem compromisso algum além de cumprir o percurso. Fabrício nós passou muitas informações, e ressaltou, o tempo todo, sobre o rigor e a seriedade da prova. Nós passou as regras, nos falou das exigências, vistorias etc. Ficamos assustandos e ao mesmo tempo impressionados com tados detalhes.
Com tudo solicitado fui fazer a vistoria, e lá já vem a primeira descepção. Nem olharam para a bicicleta e os equipamentos que tanto ressaltaram ser necessários. A largada se deu com atraso significativo, não havia fiscalização a não ser para carimbarem as fichas. Vi inúmeras infrações as regras durante o percurso. Ciclitas andando em duplas em lugares que eram para andar perfilados e onde não era permitido ultrapassagens e muita gente furando os sinais, presentes principalmente no Lago Sul. O que mais me impressionou fui a sinalização porca que fizeram. Paninhos pequenos difíceis de se visualizar. Para quem está ali, compenetrado na naquela função de autodesgaste físico e de exigencia de forte controle emocional, passava batido. Isto ficou muito visivel quando tinhamos que entrar para o Metropolitan para caribar o cartão. e dali até o Gama. Imprecionante. Não havia praticamente ninguem da equipe organizadora. Via-se aqui e ali um de moto que parecia não estar nem ai para os participantes. Não sei se era por estar entre os primeiros grupos e eles estaram preocupados com os grupos maiores que estavam mais atras.. Não sei explicar. Mas na ida para o Gama fiquei impressionada. Estavamos pedalando sozinhos. Nós e Deus. E pense que participavam da prova pessoas que nunca tinham ido ao Gama na vida. Seja por não serem de Brasília, seja por serem e nunca ter visitado a satélite.
Faltando 15km, depois de penultimo posto de carimbo (Deck Brasil - Lago Sul), na altura da 23, aparece um fiscal. NOSSA!! Um único fiscal apresentando-se depois de mais de 180km realizados. Parou o grupo de 5 pessaos com quem eu estava e anotou nossas placas dizendo que estavamos desclassificados por ultrapassar o sinal vermelho. O sujeito, sem fala, muito provalvemente por ter sido vitima de um cancer, falava conosco de maneira autoritaria. Eu questionei se de fato ia fazer aquilo. Disse que considerava inadimissível porque tinhamos visto infrações e a figura dos fiscais foram inexistentes até aquele momento, de onde ele tinha surgido com tamanha certeza de que devia nós punir? Argumentei que se tivessem fiscais em todos os sinais eu não me sentiria desrespeitada depois de ter feito tanto esforço. Ou que se ao menos fosse visivel a figura de outros fiscais em pontos. Disse a ele que lamentava. Ele disse que o que eu tinha feito era uma vergonha para mim.
Eu me senti uma merda. Acho que não era por ter perdido o titulo simbolico de ter sido a primeira mulher a chegar, mas por ter alguem que disse que eu não tinha sido responsável por desrespeitar as regras.
Lamentei. Não participarei mais de nenhum AUDAX. Não em Brasília com essa vergonhasa organização que presenciei. Viram minha falha, me puniram por ela, mas parece-me que faltou ver as inúmeras falhas cometidas pela equipe de organização.
No mais, eu sei que sou forte. Sei que fiz uma prova impecável, puxando uma cambada de homens atras de mim. Cheguei inteira e poderia pedalar uns km mais ainda. Isso ninguem tira de mim. De todo modo, esse esforço mexeu demais comigo. Cheguei em casa e chorava, sentindo uma tristeza sem explicação.
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